sexta-feira, 6 de março de 2009

Parabéns colectivo


Tinha 18 anos e os horizontes encurtados por dois farrapos de cabelos amarelos que me picavam a vista. Acreditava que o azul e o creme eram as únicas cores que podiam combinar, que o largo do meu bairro era a praça do Mundo, que a realidade só podia ser vista a partir da mentalidade europeia e caucasiana. Que os homens deviam falar de coisas de homens só com homens e que as mulheres não falavam de homens, só falavam de coisas de mulheres com mulheres. Depois conheci-vos.
Exclamei de admiração quando vi que uma camisola do Super-Homem, uma saia por cima dos jeans e umas calças de linho podiam conviver à mesma mesa. Montemor não é no Alentejo? Da Moita a Lisboa são 9 horas de distância e tens de apanhar todos os transportes possíveis e imaginários? Em Odemira é que se vive o 25 de Abril? E aí começaram a mudar-me. Disseram-me que positivista não era o antónimo de pessimista, mas uma coisa má, ignorante. Que não se pode escrever sobre a história da II Guerra Mundial num exame de Métodos Quantitativos. Parece que é para fazer contas. Que podes frequentar o Kremlin e o Rockline ao mesmo tempo. Adaptares-te a todos os ambientes com a mesma classe. Transformava-me.
Explicaram-me que não era preciso ir a todas as aulas para passar. Que uma cerveja na mesa ou um ás de copas na mão podiam contribuir mais para o meu crescimento intelectual. Mostraram-me que era possível beijar sem gostar, mas que isso representa uma sensação insignificante quando comparada ao que sentes quando gostas sem beijar. Que podes ser criança para sempre e acreditar em fadas e duendes. Em gatas animadas. E a metamorfose continuava.
Ah! Afinal as mulheres falam de sexo?! Têm motivos? Traem, gritam e amam tanto ou mais do que nós? Explicam-me que são todas diferentes. Eu gosto de viver o momento, fascina-me a atracção, a chama num piscar de olhos. Se me apaixono, choro. Se não me apaixono, rio-me. Eu não sou assim. Garanhão que se mete comigo leva um estalo ou pego-lhe fogo. Procuro o homem perfeito, que se encaixe nas minhas formas como as costas recortadas da América do Sul e de África, feitas para estar juntas e afastadas pelo acaso da Natureza. Eu não sou uma coisa nem outra. Gosto de homens altos, fortes, que me protejam. Mas sensíveis e delicados. Inteligentes. Sofro para dentro mas tenho a força de uma égua selvagem. O amor é fodido. Mas eu sou mais forte do que ele. E esta variedade completava-me.
Disseram-me, podes partir. Que a amizade não tem distâncias. Disseram-me, visita-me tens sempre a porta aberta. Que és meu irmão, meu companheiro, meu camarada. E eu já não tinha os farrapos amarelos, via a mil cores, o Mundo era o largo do meu bairro e era frequentado por povos de todas as cores e de todas as raças que falavam línguas que eu não percebia, como não percebia a vossa quando vos conheci. E agora já a falo sem erros. Ensinaram-me a mudar, que é uma das maiores virtudes do ser humano. E para melhor. Mostraram-me que mudam-se os tempos, as vontades e as mentalidades...mas que as verdadeiras amizades são imunes ao corrosivo passar do tempo.

Parabéns Clau, Vanessa e Anita. Obrigado a toda a coiotada.

3 comentários:

Clau disse...

Obrigada a ti por este post fabuloso.
Um beijo mt grande.

SPES disse...

Um post de arrepiar...
Viva as verdadeiras amizades que realmente nada nem ninguém apaga.
Um beijo muito grande à Anita, Claúdia e Vanessa!

alma vogler disse...

ehhhhh...Obrigada Varela. Fiquei com a mítica lágrima no canto do olho. Fiquei mesmo.